🤔 Por que o dono não sabe explicar
O dono opera 80% no automático. Sabe fazer mas não sabe descrever. Conhecimento tácito é regra aprendida por repetição, não por documentação. Frustrante? Não. É a natureza humana — você muda a técnica e a informação aparece.
💡 Tácito vs explícito
Seu trabalho é mover a coluna esquerda para a direita.
✓ Mudança de técnica
- ✓Pergunta caso, não pergunta regra
- ✓"Última semana, último cliente"
- ✓Repetição revela padrão
- ✓Você formula a regra, ele aprova
✗ O que não funciona
- ✗"Como você qualifica um lead?" (abstrato)
- ✗"Me explica seu processo de vendas"
- ✗"Quais critérios você usa?"
- ✗Esperar que ele formule regra sozinho
🎬 "Me conta um caso recente"
A técnica que destrava tudo. Em vez de "como você qualifica um lead?", peça "me conta o último lead que entrou. O que aconteceu passo a passo?". A regra vem narrada, não formulada.
Você pede o caso
"Me conta a última cobrança que você fez esta semana."
Ele entra no automático
Esquece que está sendo entrevistado. Narra com detalhes que jamais formularia em abstrato.
Você anota o automático dele
Cada decisão narrada é candidata a virar regra do assistente.
💡 Dica prática
Se ele responder genérico ("ah, depende"), insista no caso: "mas pensa num específico, da semana passada". Não solte. A primeira resposta genérica é resistência; o caso vem na segunda tentativa.
📚 Documentação por exemplos
Um caso é anedota. Três casos é padrão. Cinco casos é regra. Essa é a base do prompt confiável. Colete 3-5 casos do mesmo tipo — o que se repete vira critério.
📊 A regra do 3
Para qualquer processo que você quer transformar em assistente:
- • 3 leads qualificados recentes — para regra de qualificação
- • 3 propostas fechadas recentes — para template de proposta
- • 3 reclamações recentes — para script de resposta
- • 3 cobranças bem-sucedidas — para tom de cobrança
Os casos viram few-shot examples no prompt depois.
📋 Template de coleta de caso
💡 Padrão emergindo (exemplo: clínica)
Coletei 5 casos de "primeiro atendimento no WhatsApp". Padrão encontrado:
🧱 Transformar em regras explícitas
"Quando lead pede preço sem dizer projeto, eu sempre pergunto X antes de mandar valor" → vira regra do assistente. Frase do dono = regra do bot. Sem ambiguidade, com SE/ENTÃO.
✓ Boa regra
- ✓Estrutura SE/ENTÃO clara
- ✓Condição verificável no texto
- ✓Ação específica, sem "depende"
- ✓Linguagem literal do dono
✗ Regra ruim
- ✗"Atender bem o cliente" (vago)
- ✗"Depende do caso" (sem critério)
- ✗Múltiplas condições não claras
- ✗Paráfrase tirando o tom dele
💡 Dica prática
Quando escrever a regra, leia para o dono no formato SE/ENTÃO. Pergunte: "É exatamente assim que você faria?". 50% das vezes ele ajusta um detalhe — esse ajuste é ouro. Ele revela a regra real.
✅ Validar com 3 casos novos
Pegue 3 casos que o dono NÃO usou pra ensinar você. Rode as regras e mostre o resultado. Ele aponta o que está errado, você corrige, fecha o ciclo. Sem validação, o cliente duvida do assistente depois.
Selecione 3 casos novos
Pegue do histórico do WhatsApp/email casos que NÃO foram usados para criar as regras. Idealmente recentes.
Rode as regras manualmente
Antes de montar o bot, simule no papel: dado este input, a regra dá este output? Compare com o que o dono fez realmente.
Mostre os 3 resultados ao dono
"Olha, nesse caso a regra dá X. Você faria assim mesmo?" Ele aprova ou aponta o que está faltando.
Ajuste & repita
Quando os 3 baterem, as regras estão maduras. Aí sim viraram prompt no assistente.
📊 Sinal de regra madura
- • Dono aprova 3 de 3 casos sem ajuste
- • Quando ele ajusta, a mudança é pequena (palavra, não estrutura)
- • Ele consegue prever o que a regra vai fazer antes de você mostrar
- • Equipe da empresa também concorda quando você consulta
⚠️ Não pule esta etapa
Bot que vai pro ar sem validação prévia gera frustração. Cliente percebe na primeira semana, perde confiança, e você vira ladrão de dinheiro na cabeça dele. 15 minutos de validação economizam um mês de retrabalho.
🏗️ Estrutura ideal de prompt
Todo assistente bem feito tem 6 blocos fixos: contexto · objetivo · critérios · regras · exemplos · formato de saída. Sem estrutura, o prompt vira sopa. Com ela, o assistente responde estável.
Quem é o assistente? De qual empresa? Que tom usa?
O que ele tem que fazer? Em uma frase clara.
O que define resposta boa? Tamanho, tom, limites.
SE/ENTÃO específicos. As regras extraídas do dono.
Casos reais. Mostrar input + output esperado.
Texto? JSON? Lista? Padronização final.
💡 Dica prática
Documente todo prompt novo nesse formato. Com 6 meses de carteira, você terá biblioteca reaproveitável: troca o contexto/objetivo/regras e o esqueleto se mantém. Velocidade composta.